Principal alvo de operação contra o CV no Vidigal negociou fuga de presídio com ex-deputado federal na Bahia, aponta MP-BA
Operação no Vidigal tem tiroteio, e Niemeyer é fechada O traficante Ednaldo Pereira Souza, principal alvo da operação realizada nesta segunda-feira (20), n...
Operação no Vidigal tem tiroteio, e Niemeyer é fechada O traficante Ednaldo Pereira Souza, principal alvo da operação realizada nesta segunda-feira (20), no Rio de Janeiro, negociou a própria fuga de um presídio na Bahia com o ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB). Ele prometeu pagar R$ 2 milhões ao político para que a fuga fosse facilitada, conforme aponta o Ministério Público baiano, que pediu a prisão dos dois. Uldurico foi preso na última quinta (17), em Praia do Forte, distrito turístico de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Já Ednaldo não foi recapturado até a publicação desta reportagem. Mais conhecido como o Dada, o traficante é apontado como chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), também no comando do tráfico nas regiões de Caraíva e Trancoso, distritos turísticos de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Deflagrada contra o Comando Vermelho (CV) — facção a qual Dada se aliou —, a operação desta segunda cumpriu um mandado de prisão contra uma mulher e prendeu dois homens em flagrante. A situação assustou moradores da região, que observaram intenso tiroteio. Cerca de 200 turistas ficaram ilhados, sem conseguir descer em segurança do Morro Dois Irmãos durante a manhã. Edinaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada” Seap A ação da Polícia Civil do Rio foi decorrente do monitoramento do MP baiano, que indicou o paradeiro de Dada. As investigações apontam que, após a fuga em 2024, ele passou a se esconder na Rocinha, em São Conrado. Nos últimos dias, alugou uma casa no Vidigal, comunidade vizinha, e recebeu familiares e amigos para uma festa no feriadão de Tiradentes. Na fuga, deixou parentes e amigos para trás. Operação do Rio Na operação desta segunda, a polícia também procurava Wallas Souza Soares, conhecido como "Patola", suspeito de chefiar a facção com Dada. Ele não estava preso no Conjunto Penal de Eunápolis quando ocorreu a fuga. Assim como Dada, Patola não foi localizado nesta segunda. Porém, a esposa dele foi presa. Núbia Santos de Oliveira era procurada e apontada como controladora financeira da facção. Patola é procurado pela polícia e a esposa dele, Núbia, foi presa nesta segunda. Reprodução/Redes Sociais Além dela, os demais presos foram: Patrick Cesar Tobias Xavier, preso em flagrante com mochilas contendo drogas, roupas camufladas e rádio comunicador. No momento da abordagem, Patrick apresentou uma identidade falsa no nome de Rodrigo Silva. Conhecido como “Bart”, de 38 anos, ele é procurado por mandados de prisão de Goiás. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, é considerado de alta periculosidade com atuação relevante no Comando Vermelho. Christian Fernandes Rodrigues da Silva, preso em flagrante com um fuzil e uma pistola com a numeração raspada. Ele é natural de Minas Gerais. Reuniões e negociação para a fuga Uldurico Júnior e Joneuma Silva Neres. Reprodução/Redes Sociais Na noite de 12 dezembro de 2024, Dada e outros 15 criminosos fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis. Conforme a investigação do MP-BA, a fuga foi facilitada pela então diretora da unidade prisional, Joneuma Silva Neres. Ela passou mais de um ano presa e, desde março, cumpre prisão domiciliar. Em fevereiro, Joneuma firmou um acordo de delação premiada com a instituição, confessando o crime e detalhando a participação de outros suspeitos, como Dada e Uldurico. Ela disse que agiu a pedido do político, com quem manteve um relacionamento amoroso. Informou que o ex-deputado costumava solicitar encontros com os chefes de facções custodiados na unidade prisional, entre eles, Dada. Segundo Joneuma, em 14 de outubro de 2024, após ter perdido a eleição para prefeito de Teixeira de Freitas, Uldurico compareceu à cidade de Eunápolis, pressionando-a para ter mais contato com o chefe da facção local. A intenção dele seria conseguir recursos financeiros com urgência para prestar contas e pagar determinadas pessoas com quem tinha dívidas. Foi em meio a esse cenário que Uldurico teria negociado a fuga com Dada por R$ 2 milhões, tendo recebido ao menos R$ 200 mil como adiantamento. Entenda a negociação, conforme relato da ex-diretora ⬇️ Em 2 de novembro de 2024, Joneuma e Uldurico Júnior estavam em um hotel, em Eunápolis, quando o candidato a vereador Alberto Cley e a esposa dele trouxeram uma pessoa de confiança de Dada, que saiu do veículo de Cley e entrou no veículo do ex-deputado federal. No veículo, estavam Uldurico Júnior (no volante), Joneuma ao seu lado, e a pessoa de confiança de Dada no banco traseiro. Essa pessoa ligou do celular dela para Dada e realizou uma chamada em modo viva-voz. Na ocasião, foi firmado o acordo de facilitação da fuga em troca dos R$ 2 milhões. O valor seria pago em espécie no dia 31 de dezembro, na cidade de Porto Seguro, quando um funcionário de Dada levaria o dinheiro para a casa de um primo de Uldurico. No entanto, o ex-deputado federal informou que necessitava com urgência de um adiantamento de R$ 350 mil. Dada teria aceitado adiantar o pagamento de R$ 200 mil antes da data da fuga. Segundo a delação de Joneuma Neres, a entrega do dinheiro do adiantamento ocorreu da seguinte maneira ⬇️ Na noite de 4 de novembro de 2024, a ex-diretora foi sozinha a uma residência no bairro Juca Rosa, que tinha um adesivo com o nome “CLEY” colado no muro, parou o carro em frente à casa e uma pessoa da confiança de Dada a entregou o dinheiro em uma caixa de sapato. No dia seguinte, ela entrou em contato com o pai de Uldurico Júnior, Uldurico Alves Pinto, via aplicativo de mensagens, perguntando onde deveria encontrá-lo para entregar o dinheiro. Joneuma disse que ela entregou o dinheiro, na mesma caixa de sapato, na casa do pai do ex-deputado federal, em Teixeira de Freitas, conforme acertado com ele. Informou que estavam presentes na residência o pai de Uldurico Júnior, a madrasta dele, uma funcionária doméstica e um assessor da família. O assessor teria conferido o dinheiro e o pai de Uldurico ficou com R$ 150 mil. Em relação ao restante do dinheiro, Joneuma disse que depositou R$ 21.600,00 na conta de Uldurico Júnior e realizou um PIX de R$ 24 mil para a conta de um outro homem. Após o pagamento do adiantamento de R$ 200 mil, Uldurico Júnior teria passado a pedir que Joneuma intermediasse a comunicação com Dada. A ex-diretora informou que as reuniões que teve sozinha com o detento no presídio tinham o objetivo de realizar esta negociação e ganhar a confiança do traficante para que ele adiantasse mais valores. Joneuma afirmou ainda que o ex-deputado federal pediu mais R$ 100 mil de adiantamento, mas Dada negou e ressaltou que só faria o restante do pagamento após a fuga. Fuga em massa Veja o momento em que 16 detentos fogem de presídio na Bahia A fuga aconteceu em dezembro de 2024 e teve repercussão nacional. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), os detentos fugiram por volta das 23h, do dia 12 de dezembro de 2024. Segundo o coronel Luís Alberto Paraíso, comandante da Polícia Regional na cidade, a fuga só foi possível porque enquanto os detentos perfuravam o teto de uma cela, um grupo de oito homens armados invadiu o presídio, atirando nos agentes de plantão. "O grupo criminoso veio de fora do presídio, cortou a grade e começou a atirar nas guaritas. Essa troca de tiro sustentou a fuga dos elementos que desceram por cordas e fugiram pelo matagal". Durante a ação, os homens mataram um cão de guarda do presídio e abandonaram um fuzil calibre 5.56 — fabricado nos Estados Unidos e sem numeração aparente — no local. Dois carregadores com 57 cartuchos intactos também foram encontrados. Os foragidos cumpriam penas por tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas e homicídios qualificados. Apenas três dos 16 fugitivos foram alcançados Detentos que fugiram de penitenciária da Bahia. Divulgação/Seap Além de Dada, outros chefes e integrantes da facção de Eunápolis escaparam na ocasião: Sirlon Risério Dias Silva, conhecido como Saguin (subchefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis); Altieri Amaral de Araújo, conhecido como Leleu (subchefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis); Mateus de Amaral Oliveira; Geifson de Jesus Souza; Anderson de Oliveira Lima; Fernandes Pereira Queiroz; Giliard da Silva Moura; Romildo Pereira dos Santos; Thiago Almeida Ribeiro; Idário Silva Dias; Isaac Silva Ferreira; William Ferreira Miranda. Desde então, apenas três deles foram alcançados: Anailton Souza Santos, o Nino, morto em confronto com a polícia em janeiro de 2025 em Eunápolis; Valtinei dos Santos Lima, conhecido como Dinei, recapturado em setembro de 2025, em Porto Seguro; Rubens Lourenço dos Santos, conhecido como Binho Zoião (da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis), morto na megaoperação do Rio de Janeiro, em outubro de 2025. Veja o que dizem as defesas dos citados O g1 não conseguiu contato a com a defesa de Dadá e dos presos na operação realizada no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (20). A defesa de Uldurico Júnior informou que todas as alegações da delação de Joneuma Neres são falsas, com intuito de se livrar da responsabilidade. "Uldurico jamais teve conhecimento de plano algum de fuga, nem recebeu dinheiro nenhum por tal fato, o que pode ser facilmente comprovado. Tanto a defesa quanto o acusado estão colaborando com a Justiça para que a verdade prevaleça", afirmou. LEIA TAMBÉM: Ex-diretora de presídio teve romance com detento e envolvimento com facções na Bahia, diz investigação Ex-diretora de presídio e detento foragido negociavam votos por R$ 100 para beneficiar vereador e ex-deputado federal Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻 E