Presente para Iemanjá representa ancestralidade e protege tradição religiosa: 'É de grande importância que não se mercantilize a festa'

Presente para Iemanjá une tradição e ancestralidade em oferenda para divindade Max Haack/Ag Haack A tradição do presente para Iemanjá no dia 2 de feverei...

Presente para Iemanjá representa ancestralidade e protege tradição religiosa: 'É de grande importância que não se mercantilize a festa'
Presente para Iemanjá representa ancestralidade e protege tradição religiosa: 'É de grande importância que não se mercantilize a festa' (Foto: Reprodução)

Presente para Iemanjá une tradição e ancestralidade em oferenda para divindade Max Haack/Ag Haack A tradição do presente para Iemanjá no dia 2 de fevereiro remonta uma história de fé, praticada em Salvador há mais de 200 anos. O bairro do Rio Vermelho ganha as cores azul e branco durante o dia de celebração, e a responsabilidade de dar a principal oferenda à Mãe das Águas fica a cargo de pescadores e do povo de terreiro. Em entrevista ao g1, Elias Conceição, do Terreiro Olufanjá, contou que a responsável por coordenar a preparação da oferenda neste ano foi Mãe Nicinha de Nanã, pela segunda vez. O presente escolhido ainda não foi revelado. Ogan do terreiro — cargo que atribui aos homens responsabilidade sobre o funcionamento e relações sociais do espaço no dia a dia —, Conceição ressalta que essa preparação ultrapassa a construção material do objeto que será dado e inclui um grande esforço espiritual. "A responsabilidade é gigantesca para quem é de Axé. Se lida com muita energia, muita gente, não é uma questão só de festa". 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Conforme o ogan, o trabalho inclui pedir a permissão para Oxalá, orixá regente do terreiro, assim como uma série de banhos e outros procedimentos de preparação espiritual. Com isso, a Casa também faz consultas aos orixás para proteger todas as pessoas que estarão na festa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em parceria com os pescadores, o povo de terreiro acompanha todo o ritual até a entrega do presente à divindade. "Há uma harmonia entre os terreiros e os pescadores. [...] Nós vamos no barco com eles, ficamos no barracão, porque a entrega tem que ser feita na ritualística do terreiro". O apreço com a manutenção do aspecto religioso do dia 2 de fevereiro é uma parte importante para a manutenção da importância histórica da data. Ainda que o chamado "profano" também faça parte das manifestações ligadas à Festa de Iemanjá, Elias ressalta que é a religiosidade que mantém tudo unido. Ressaltando a tradição histórica da prática pelo povo negro e de terreiro, que trouxe de países africanos o culto a Iemanjá, Elias aponta que a dimensão sagrada da festa é essencial. "O que sustenta essa ação e tudo aquilo que ocorre em torno dessa festa é essa fé, é essa entrega, seriedade, a não quebra dos ritos. É de grande importância que não se mercantilize a festa de Iemanjá". Elias Conceição é Ogan do Terreiro Olunfajá, reponsável pela preparação do presente para Iemanjá em 2026. Arquivo pessoal Nesse sentido, a participação ativa da Colônia de Pescadores Z1 no processo é essencial. Ao lado do povo de terreiro, o grupo de trabalhadores mantém a tradição viva deste 1923 e tem papel direto na festa. É nos barcos dos trabalhadores que a imagem de Iemanjá, a oferenda dos pescadores e do terreiro chegam à Mãe das Águas. O grupo começa a se organizar para a cerimônia no dia 1º de janeiro e, em parceria com os governos estadual e municipal, compra os materiais necessários para a celebração w garante a alimentação dos pescadores que participam do evento. O presidente da colônia, Nilo Garrido, de 60 anos, ressalta que manter as homenagens à Orixá das Águas é, também, proteger o legado dos pescadores. "A nossa intenção é sempre fazer nossa festa, de pescador. Sem pescador aqui do Rio vermelho, não tem a festa de Iemanjá. Até tem em outros lugares, mas não se compara a aqui", defende. Presente para Iemanjá une tradição e ancestralidade em oferenda para divindade Joilson César/Ag. Picnews Essa crença, que perpassa a resistência do povo de terreiro e o compromisso dos pescadores, se expande a grande parte das pessoas que acompanha a celebração. Reconhecida como Patrimônio Imaterial de Salvador, pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), em 2020, a Festa de Iemanjá é, em essência, um dia para ofertar o que se tem de melhor. LEIA TAMBÉM: Homem morre após granada presa à cintura explodir durante confronto com policiais na Bahia Ex-presidiário morre em confronto com policiais militares em Feira de Santana Quatro homens morrem após confronto com policiais militares na Bahia Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

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