Justiça condena 31 agentes penitenciários e diretores por tortura contra 260 presos na cadeia pública de Salvador

Justiça condena 31 agentes penitenciários e diretores por tortura contra 260 presos em cadeia pública de Salvador Seap Trinta e um agentes penitenciários, c...

Justiça condena 31 agentes penitenciários e diretores por tortura contra 260 presos na cadeia pública de Salvador
Justiça condena 31 agentes penitenciários e diretores por tortura contra 260 presos na cadeia pública de Salvador (Foto: Reprodução)

Justiça condena 31 agentes penitenciários e diretores por tortura contra 260 presos em cadeia pública de Salvador Seap Trinta e um agentes penitenciários, coordenadores e integrantes da direção da Cadeia Pública de Salvador foram condenados por tortura contra 260 presos durante uma revista realizada na unidade, em 23 de junho de 2010. As penas chegam a 13 anos, sete meses e dez dias de prisão, em regime inicial fechado. A sentença foi assinada em 24 de outubro de 2026 pelo juiz Bernardo Mario Dantas Lubambo, da 14ª Vara Criminal de Salvador. O caso começou a repercutir neste sábado (7). Segundo a decisão, os internos foram submetidos a agressões físicas e verbais durante a ação. Entre as violências relatadas estão socos, chutes, pontapés, tapas, golpes de cassetetes, humilhações e choques elétricos. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Na época, 412 pessoas estavam custodiadas na unidade. Desse total, 260 teriam sido vítimas das agressões. Agora no g1 A revista foi apresentada inicialmente como um procedimento de rotina para evitar possíveis motins. No entanto, conforme a sentença, a ação também teria sido utilizada como forma de castigo aos presos por reivindicações anteriores e para intimidá-los a não promover novas rebeliões. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e aguarda posicionamento. A reportagem também tenta contato com as defesas dos condenados. Como o caso foi descoberto O episódio chegou ao conhecimento das autoridades depois que familiares dos presos identificaram marcas de agressões nos corpos dos internos e procuraram o Ministério Público. Uma inspeção judicial realizada na Cadeia Pública constatou hematomas e ferimentos em diversos detentos. Durante a apuração, também foram reunidos depoimentos de presos e agentes penitenciários, reconhecimentos de suspeitos, registros médicos e fotografias das lesões. Na sentença, o magistrado reconheceu a participação de agentes penitenciários nas agressões. Também apontou a responsabilidade de integrantes da direção da unidade, que teriam presenciado os acontecimentos e deixado de impedir a continuidade da violência. Veja quem são os 31 condenados Justiça condena 31 agentes penitenciários e diretores por tortura contra 260 presos em cadeia pública de Salvador Arquivo Pessoal As penas foram definidas de acordo com a função exercida por cada um e a participação reconhecida na sentença. Agentes penitenciários — 11 anos e 8 meses de prisão: Todos receberam penas em regime inicial fechado. Alexandre Menezes da Silva; Cândido Rosa Neto; Carlos André de Jesus Pereira; Denilson Jesus de Medeiros; Edmundo dos Santos; Elias Fernandes de Jesus; Fábio da Silva dos Santos; Géssio Gonçalves Alves Costa; Gildásio Moura Pereira; Humberto Rosa Moreira; Itael Alves Santos; Ivonildo da Silva Oliveira; Jessé Batista dos Santos; João Gomes de Brito; Jorge José dos Santos; José Oliveira Soares; José Roberto Costa Santos; Josimar Franco Barbosa Lima; Marcos Geraldo Barbosa dos Santos; Paulo Cesar Galderisi Santana; Pedro Suarez Calasans; Roberto Lyra Machado; Sandoval Barbosa dos Santos; Valdelio Nascimento França; Wellington Sento Sé Improta. Coordenadores — 13 anos, 7 meses e 10 dias de prisão: Todos receberam penas em regime inicial fechado. Gilberto José Santos, coordenador de segurança; Jessé Alves Gomes, coordenador de vigilância; Luiz Carlos Souza Sacramento, coordenador de vigilância. Diretores da Cadeia Pública — 13 anos, 7 meses e 10 dias de prisão: Todos receberam penas em regime inicial fechado. Clésio Rômulo Atanásio Sobrinho, diretor-adjunto; Crispim Borges, diretor; Everaldo Jesus de Carvalho, diretor-geral. Condenados também perderam cargos públicos Além das penas de prisão, os 31 condenados perderam os cargos, funções ou empregos públicos que ocupavam. A sentença também determinou que eles fiquem proibidos de exercer as respectivas funções pelo dobro do tempo das penas aplicadas. O juiz estabeleceu ainda uma indenização mínima de R$ 5 mil para cada vítima relacionada na denúncia. O valor deverá ser pago proporcionalmente pelos condenados, com juros de 1% ao mês e correção monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), desde a data dos fatos. Três pessoas foram absolvidas A sentença também determinou a absolvição de três pessoas: Edna de Aquino Brito, Cláudio José Silva Cavalcanti e Alexssandro Andrade Mainart. Já em relação a Paulo Sérgio de Sousa Silva, a Justiça reconheceu a extinção da punibilidade em razão da morte dele. LEIA TAMBÉM: Jovem de 19 anos morre e adolescente e outro homem ficam feridos após ataque a tiros na saída de paredão na Bahia Corpos de dois homens são encontrados mutilados dentro de mala e caixa em Salvador Polícia investiga denúncia de discriminação racial contra adolescente abordado por guardas municipais em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Fale Conosco